Buscar
  • Beja Santos

Que a exposição solar seja para si mais uma fonte de saúde (1)


Mário Beja Santos: É bem curioso encontrar referências em almanaques do princípio do século XX à importância do sol para a síntese da vitamina D na prevenção do raquitismo. Uma exposição moderada, com conta, peso e medida, é reconfortante, traz imenso bem-estar, ajuda a distender o corpo. Uma exposição abusiva e indevida das radiações solares acarreta malefícios, é imperioso conhecê-los. Há uma máxima que devemos reter: a pele nunca esquece; o mesmo é dizer que toda e qualquer agressão, por mais pequena que seja, fica registada e soma-se a todas as posteriores. Vejamos como e porquê.

Nas estruturas que fazem parte da pele existem células que produzem uma substância escura, esta é designada por melanina. Consoante a maior ou menor quantidade de melanina produzida, assim é o tom de pele que cada um de nós apresenta. A luz solar é um estímulo para o aumento da produção desta melanina. Uma das funções desta melanina consiste na proteção do organismo contra a penetração das radiações solares ultravioletas (danosas pela sua alta energia). Daí perceber-se como as pessoas nórdicas não necessitem de grandes quantidades de melanina, enquanto no polo oposto, onde há sol em abundância, tem de se produzir elevados teores em melanina, e daí o seu tom de pele escuro ou enegrecido.

A exposição solar deve ser gradual e regrada. Quem ainda tem a tentação de se expor horas ao sol nos primeiros dias de férias ou de idas à praia, por exemplo, arrisca-se a ficar com a “pele de lagosta”, trata-se de uma queimadura muito séria e significa que não houve uma necessária adequação na produção de melanina. São estas exposições precipitadas, e repetidas, que favorecem o cancro cutâneo.

Como agir corretamente? Tratar o sol com muito respeito, aprender a fazer uma exposição solar tonificante e saudável, saber escolher o protetor solar, fugir do calor em excesso que não dá descanso ao corpo. Diferentes questões que aqui se irão abordar, uma a uma. Tratar o sol com muito respeito é saber contrariar o golpe de calor e as queimaduras solares. Insista-se que a exposição solar com regras liberta as pessoas de pressões, deixa-as predispostas a revigorar as energias. Há algumas doenças contra as quais pode ser benéfico ter exposição solar, é o caso da psoríase, da osteoporose e das dores reumáticas. Exposição solar abusiva é igual a calor em excesso, perde-se água, às vezes esta perda passa despercebida, o organismo deixa de ter capacidade de regular a temperatura, arrisca-se o golpe de calor, que se manifesta por dores de cabeça, vertigens, pulso acelerado, sensação de boca seca e nas pessoas predispostas, ocorre uma baixa de tensão arterial. São mais sensíveis ao calor em excesso as crianças, os seniores e algumas categorias de adultos crónicos. Mas o chamado golpe de calor não acontece apenas por exposição solar na praia, pode ocorrer quando caminhamos numa cidade ou no campo. A prevenção passa pelo recolhimento nas horas de calor mais intenso e pelas respostas adequadas: usar chapéu, beber muita água, colocar uma tolha embebida em água sobre a testa. Atenção, os chamados “banhos” de álcool estão totalmente desaconselhados, parecem dar uma certa frescura à pele, mas impedem que o calor se liberte e agravam a situação ao provocarem vasoconstrição. Percebe-se, pois, que há que tratar o sol com muito respeito, vamos ver adiante por onde passa uma exposição solar tonificante e saudável. O assunto é suficientemente sério para que o leitor não se esclareça, e é relativamente simples conversar com o seu médico de família ou pedir aconselhamento farmacêutico, este profissional de saúde está habilitado a esclarecer sobre a exposição solar e como ela pode ser uma verdadeira fonte de saúde, revigorante mesmo.

(continua)

1 visualização