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  • Beja Santos

O que ganhamos com a adesão à terapêutica


Beja Santos: Entende-se por adesão à terapêutica o seguimento rigoroso da toma de toda a medicação de acordo com as instruções do profissional de saúde. Um seguimento que se traduz no respeito pela posologia recomendada (número de comprimidos por toma e número de tomas por dia), pelo respeito à hora da toma (de manhã, ao deitar,…), pela duração da terapêutica (que pode ser curta ou prolongada, em conformidade com a natureza da doença ou da sintomatologia apresentada e as recomendações feitas em função das caraterísticas de cada medicamento, caso da toma em jejum ou após as refeições,…). A não adesão firme e responsável a esta terapêutica significará, pelo menos, a diminuição da eficácia do tratamento e em muitos casos o agravamento do estado de saúde.

Qualquer doente anseia por ficar bom, retomar um estado de saúde satisfatório, há que perguntar porque é que não se adere à terapêutica. Não é só uma questão de literacia em saúde, há esquecimentos, não se comunicou corretamente a forma como o tratamento deve ser feito, e o doente relaxa. A não adesão pode dever-se a receios ou ideias incorretas sobre os medicamentos, ao não dar-se o devido valor à forma da toma. Por exemplo, se o medicamento deve ser tomado quinze a vinte minutos antes de uma refeição, isto pode significar que se for tomado após esta, com o estômago cheio, a quantidade absorvida ficará bastante reduzida e consequentemente a sua eficácia será diminuída. Quanto à duração do tratamento, regra geral os profissionais de saúde destacam a sua importância. Contudo, em muitos casos, particularmente em doenças crónicas, o doente suspende o tratamento assim que se obtêm sinais de melhoras. E há situações extremas, em que a falta de adesão à terapêutica pode aparecer associada a dificuldades económicas.

Em todos os países há hoje dados fiáveis que permitem apreciar as consequências nefastas nos gastos de Saúde da não adesão à terapêutica. Por isso se lançam programas para a gestão da doença crónica, de um modo geral, os resultados são um sucesso pois os doentes, quando há alteração nas terapêuticas, são monitorados pela dupla do médico prescritor e do farmacêutico que acompanha regularmente o doente e transmite para os serviços de Saúde um relatório sobre a evolução do estado de saúde desse doente, seja um asmático, um diabético, um doente do foro cardiorrespiratório. O médico prescreve a terapêutica, ou corrige-a, o doente apresenta-se periodicamente na farmácia, aqui o profissional de Saúde dialoga com ele, aprecia a evolução da adesão à terapêutica.

Se o aconselhamento farmacêutico já tem uma inegável importância no contexto de uma automedicação orientada, se este aconselhamento está hoje na base de uma boa escolha de medicamentos não prescritos (tenha o utente doença crónica ou não) e deve tender para criar exigências nos utentes em todos os domínios da literacia em Saúde, na adesão à terapêutica este aconselhamento evita gastos em Saúde e sofrimento, pois a não adesão repercute-se em serviços de urgência entupidos, novas hospitalizações, alterações terapêuticas escusáveis, etc.

A sociedade no seu todo ganhará com melhores indicadores de Saúde quantos mais formos os doentes que adiram à terapêutica. Seremos uma comunidade para onde apontam os grandes desafios em Saúde.

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