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  • Beja Santos

O elementar sobre a febre na criança


Mário Beja Santos: A febre é um sintoma, não é uma doença. São muito variadas as situações que podem originar febre, e estamos a pensar especialmente na criança: o excesso de roupa, a utilização de roupas molhadas, a prática de exercício físico em excesso, a exposição a ambientes altamente aquecidos, as infeções de origem viral e bacteriana, intoxicações ou a existência de doenças não-infeciosas, após a vacinação e até mesmo em resultado da utilização de determinados medicamentos.

Temos, pois, apenas um sinal que nos transmite a existência de um desequilíbrio no nosso organismo, deve-se dizer que não existe nenhuma medida específica para preveni-la. No entanto, podem ser adotadas medidas de higiene pessoal e doméstica com o objetivo de prevenir a propagação dos vírus e das bactérias: lavar as mãos regularmente com água e sabão, cobrir a boca e o nariz em caso de espirro ou de tosse, manusear os alimentos apenas após a correta lavagem das mãos; manter a vacinação da criança em dia, adotar um regime alimentar o mais equilibrado possível, onde a água, as frutas e os legumes têm boa representação; um sono regular é um atributo indispensável.

Se a temperatura axilar não for elevada (inferior a 39ºC) e se a criança se sentir desconfortável, podem ser aplicadas apenas medidas não-farmacológicas, tais como retirar a roupa em excesso, respeitar os comportamentos espontâneos nas crianças mais velhas (o agasalho ao desejo de cada um), reforçar a ingestão de líquidos, garantir uma temperatura ambiente de cerca de 22ºC e dar alimentos ricos em vitaminas e hidratos de carbono (frutos, massa, arroz e batata). Em caso algum se devem utilizar soluções alcoólicas nas crianças. Além de dificultar a eliminação do calor pelo corpo (embora deem uma sensação aparente de frescura), o álcool pode ser absorvido através da pele, podendo ter efeitos tóxicos sobre as crianças. As medidas farmacológicas devem ser implementadas quando a temperatura retal é superior a 39ºC e a criança apresenta dor ou desconforto; e também em situação de doença crónica, em que o consumo de energia motivado pela febre seja prejudicial.

Os medicamentos utilizados para controlar a febre são os antipiréticos. O seu objetivo principal é, mais do que a normalização da temperatura, proporcionar conforto à criança. O paracetamol é o antipirético de escolha no lactente e na criança, uma vez que apresenta uma eficácia e segurança bem estabelecida. Pode ser administrado com um intervalo mínimo de quatro horas entre as tomas, não devendo ser excedidas as cinco tomas diárias. O ácido acetilsalicílico e seus derivados não devem ser utilizados para tratar a febre em crianças menores de doze anos, salvo em casos especiais e com indicação médica, pelas reações graves que podem causar em situações particulares.

Há casos em que os pais ou cuidadores das crianças insistem com o médico para que prescrevam antibiótico quando existe febre. Ora, os antibióticos não são medicamentos que tenham a finalidade de reduzir a febre. Esta, na maioria dos casos, é causada por infeções virais que não respondem, em caso algum, ao tratamento com antibióticos. Apenas se devem administrar antibióticos se estes forem prescritos pelo médico e sempre para tratar uma infeção bacteriana. Para qualquer criança, mas em particular se tiver menos de dois anos, é fundamental que fale sempre com o seu farmacêutico ou pediatra, antes da administração de qualquer medicamento.

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