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O elementar da doença de refluxo gastroesofágico


Beja Santos

É uma doença crónica em que há passagem do conteúdo gástrico para o esófago. O conteúdo gástrico que reflui para o esófago é frequentemente acompanhado pela sensação de azia, ardor, e pode mesmo deixar um saber amargo na boca. As manifestações mais frequentes são a azia ou pirose, a dor com a sensação de queimadura na “boca do estômago”, regurgitação amarga, eructação ou arrotos, entre outras. Se não houver tratamento atempado ou diagnóstico precoce, pode haver complicações sérias: esofagite (inflamação do revestimento do esófago), estenose (redução do calibre do esófago), úlcera, etc.

Na maioria dos casos é uma doença benigna, mas é muito incomodativa e causa má qualidade de vida. Na maioria dos casos, é facilmente controlável com medicamentos. Nos casos em que os doentes têm uma esofagite mais grave, poderá haver necessidade de outras medidas terapêuticas ou cirúrgicas.

O tratamento desta doença visa aliviar os sintomas, cicatrizar as lesões e prevenir as recidivas (repetições). Os antiácidos (que neutralizam a acidez do estômago) são frequentemente usados no início, mas não atuam sobre a inflamação causada pelo ácido na mucosa do esófago. Há medicamentos que reduzem a produção de ácido com diferentes caraterísticas. A terapêutica para estes medicamentos tem, geralmente, uma duração de quatro a doze semanas.

A terapêutica não é tudo, é preciso adotar estilos de vida adequados: fazer refeições pequenas; evitar alguns alimentos, como chocolates e citrinos; evitar bebidas gaseificadas ou com cafeína; evitar comer duas a três horas antes de se deitar; não fumar; evitar atividades que aumentem a pressão intra-abdominal logo após as refeições (caso da jardinagem); elevar a cabeceira da cama cerca de quinze centímetros.

Esta doença do refluxo é bem subdiagnosticada. Havendo sintomas, há que os expor convenientemente ao médico de família. Aproveite igualmente o aconselhamento farmacêutico, este profissional pode ajudar a distinguir entre uma situação pontual de uma situação que se repete e que exige diagnóstico. Nesse aconselhamento, se o farmacêutico apurar existirem situações como: uma sensação de queimadura e regurgitações que se repetem ao longo do tempo; sintomas de refluxo que perturbam o sono há bastante tempo, expetoração com sangue; uma assinalável perda de peso, torna-se indispensável o encaminhamento para o médico. O que pode e deve pedir no aconselhamento farmacêutico é saber mais sobre a prevenção dos fatores de agressão e receber ajuda para um conjunto de medidas gerais que melhorem a qualidade de vida e deem suporte às medidas farmacológicas. Se se tratar de afeções benignas, este aconselhamento seguramente lhe trará melhores resultados para uma vida com mais qualidade.

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