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  • Beja Santos

Laxantes: não são todos iguais e não há laxantes ideais


Mário Beja Santos: A necessidade de recorrer aos laxantes, na maioria dos casos, seria evitável se as pessoas adotassem bons hábitos alimentares e estilos de vida mais saudáveis. É verdade que há uma relação entre a toma de laxantes e a toma de outros medicamentos: antiácidos, medicamentos para as cólicas, anticonvulsivantes, alguns antidepressivos, analgésicos, entre outros, e também os próprios laxantes, podem originar um quadro de prisão de ventre.

A preocupação a ter com o uso de laxantes deverá ser particularmente maior em crianças, idosos, grávidas e mulheres a amamentar. E porquê? As crianças e os idosos são muito sensíveis à desidratação e à perda de sais minerais que os laxantes podem provocar se forem potentes, e por isso não são recomendáveis os laxantes irritantes. Não nos devemos sugestionar por nomes comerciais que podem dar lugar a enganos por se fazer menção a um produto natural – os produtos à base de plantas também podem originar efeitos adversos. Na grávida, os laxantes expansores do volume fecal são os mais indicados. Uma mulher a amamentar deve ter uma precaução redobrada com os laxantes que toma, porque alguns são eliminados pelo leite e provocam diarreia no bebé.

Converse com o seu médico de família ou com o seu farmacêutico para ficar a compreender que não se devem tomar laxantes de ânimo leve, conhecer a alimentação mais adequada para melhorar a prisão de ventre e como identificar as causas de uma prisão de ventre. Nessa conversa com profissionais de saúde, no caso de estar a tomar medicamentos, pergunte-lhes se alguns desses medicamentos podem ser responsáveis pela prisão de ventre.

Não insista na toma de laxantes que requeiram receita médica quando não tenham sido prescritos.

Não esqueça que todo o medicamento requer uma dispensa personalizada porque não há dois doentes iguais e por isso mesmo os medicamentos não são todos iguais. Se conversou com um profissional de saúde como é que pode evitar o uso de laxantes ele seguramente lhe disse que devia adotar estilos de vida mais saudáveis e bons hábitos alimentares: uma boa ingestão de líquidos, alimentos ricos em fibras (vegetais cozidos, saladas, sopas, pão escuro e leguminosas frescas ou secas) e andar a pé para ajudar o movimento intestinal.

Este é o quadro geral que qualquer um de nós deve aceitar em nome da cidadania em saúde. No entanto, há casos em que a prisão de ventre é ocasionada por diferentes situações, designadamente doenças intestinais ou outras, por medicamentos ou por alterações episódicas do estilo de vida (será o caso da mudança do local onde se tomam habitualmente as refeições, por efeito de uma viagem, pela fruição de férias, por exemplo). E conheça melhor os medicamentos que possam ocasionar a prisão de ventre, pode dar-se o caso de os estar a tomar: os já falados antiácidos, medicamentos para as cólicas, anticonvulsivantes, alguns antidepressivos, os próprios laxantes (quando usados em excesso), mas também sais de ferro, diuréticos, calmantes (como as benzodiazepinas), alguns hipertensores e analgésicos potentes.

Uma prisão de ventre crónica obriga necessariamente a uma consulta médica, porque pode ter como causa subjacente doenças mais ou menos graves dos intestinos, que exijam a intervenção da médica. Também uma prisão de ventre que surja subitamente sem explicação requer consulta médica.

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