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  • Beja Santos

Em tempos de canícula, trate com carinho, mesmo em viagem, os seus medicamentos


Mário Beja Santos: É de todos sabido que há muitos fatores que podem levar a que o medicamento se altere – o calor é um deles. Na generalidade dos casos, o medicamento é estável, mesmo quando exposto a temperaturas até cerca dos 25ºC. É assunto importante saber utilizar o “armário de farmácia” em tempos de calor tão elevado. Há o “armário de farmácia” e a chamada “farmácia em viagem”, mesmo que seja um turismo de vários dias. Sabe-se que o “armário de farmácia”, seja qual for a época do ano, deve localizar-se num local fresco, seco e afastado do calor e, por isso, são de evitar a cozinha e a casa-de-banho, dois dos locais mais quentes e húmidos das nossas habitações.

Há medicamentos que exigem cuidados específicos de conservação, como é o caso das insulinas, de algumas soluções oftálmicas e de certos xaropes. Alguns devem ser conservados entre 2 e 8ºC, geralmente no frigorífico, de onde só devem ser retirados para utilização, voltando a proceder-se à sua reintrodução, imediatamente após o seu uso, pois podem ser alterados pelo calor.

Se houver necessidade de transportar os medicamentos, eles não podem estar expostos a temperaturas elevadas, como aquelas que se atingem nas malas ou no interior dos carros estacionados ao sol. Em dias de muito calor, os medicamentos habitualmente conservados no frigorífico deverão ser transportados em sacos isotérmicos refrigerados, mas todos os outros também deverão ser transportados em sacos isotérmicos.

Não se esqueça é que há uma relação direta entre o organismo humano, o calor e os medicamentos. Há medicamentos que podem agravar os perigos decorrentes de uma exposição demasiado prolongada ao sol: os destinados ao tratamento da doença cardíaca (diuréticos que podem aumentar a desidratação, os anti-hipertensores ou anti-anginosos que podem agravar a hipotensão), os neuroléticos, entre outros. Quando vai para férias, e independentemente de incluir na bagagem produtos de cuidado na exposição solar (cremes, loções, produtos pós-solares, …), também produtos para tratar feridas, não é despiciendo incluir medicamentos para a dor ligeira e moderada e para a febre. O doente crónico deve levar a quantidade necessária de medicamentos de acordo com a duração da viagem, incluindo pelo menos uma embalagem extra para os imprevistos, devendo fazer-se acompanhar de uma receita médica, na qual constem os nomes genéricos de todos os medicamentos, respetivas doses, formas farmacêuticas e posologias associadas. Em relação aos doentes diabéticos, em viagens de avião, a insulina não deve ser transportada na bagagem de porão. Nas viagens de carro, não deve deixar os medicamentos no porta-luvas ou no porão do carro.

Quando se dispuser a viajar, qualquer que seja o meio de transporte e o seu destino final, informe-se com o seu farmacêutico sobre os cuidados a ter com cada um dos medicamentos que leva para a viagem. Pode ainda pedir-lhe ajuda para calcular a quantidade de cada medicamento a levar em função da duração da viagem e da quantidade que toma diariamente.

Mas há cuidados específicos a ter com o doente crónico. A título meramente exemplificativo, iremos dedicar o texto seguinte às doenças cardiovascular e respiratória. O essencial a reter é que não devemos descompensar as doenças crónicas. Se falar com o seu farmacêutico, ele seguramente lhe dirá que não deve interromper o tratamento sem indicação médica, ou que deve pedir ao médico que proceda a adaptações do tratamento; e dir-lhe-á certamente que ao viajar de avião os medicamentos devem ir na bagagem de mão e com as medidas de segurança no controlo dos aeroportos terá a levar uma declaração médica que descreva a necessidade de transportar medicamentos.

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