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  • Beja Santos

Em frente ao Vesúvio, passeando por Herculano e Ravello (7)



Beja Santos

O guia Michelin concede três estrelas a Ravello, esse local maravilhoso a escassos quilómetros de Amalfi, outrora a República Marítima de Amalfi, fundada no século IX, chegou a ter doge. O guia dá três estrelas a esta vista espetacular, dizendo que todo este vastíssimo balcão está suspenso entre o céu e o mar e pelo que oferece é inesquecível. Tão aprazível para a contemplação, foi escolhido por artistas como D. H. Lawrence, Graham Greene, Gore Vidal, Hans Escher e Joan Miró. Notará o leitor que há uma espécie de manchas na imagem, o balcão está envidraçado, a queda será mortal.

Continuamos em Vila Rufolo, a villa erigida no século XIII pela família Rufolo de Ravello, chegou a ser a residência de verão de Papas e de Carlos d’Anjou. Já falámos do panorama de que se disfruta sob o cabo Orso, a baía de Maiori e o golfo de Salerno. O industrial escocês Francis Nevile Reid transformou um lugar arruinado num portentoso espaço romântico, aproveitou-se do edifício original, uma perfeita síntese da arquitetura árabe, siciliana e românica, fez conservar as ruínas, veja-se nesta imagem a Sala dos Cavaleiros dentro do jardim que é uma verdadeira exaltação do romantismo oitocentista.

Esta torre-museu foi muito bem adaptada para conservar a memória histórica de Vila Rufolo até à sua readaptação como casa romântica. É um prazer para os olhos e não menos para a vista e para o ouvido, acompanham-nos em permanência as sonoridades da ópera Parsifal, de Wagner, que se inspirou neste jardim, e no balcão mais alto o que se avista não é traduzível em palavras.


Era timbre do romantismo, basta que o leitor se lembre das transformações introduzidas pelo rei D. Fernando, marido da rainha D. Maria II, no Castelo dos Mouros, em Sintra. A região sofreu brutalmente com o terramoto de 1755, D. Fernando mandou aproveitar todas as ruínas e embelezou-as. Mas não foi só ele, se o leitor já visitou o Palácio de Monserrate, encontrou ruínas e excertos que faziam parte do mesmíssimo ideal romântico. O milionário escocês mandou conservar as ruínas dos balneários onde havia o banho turco e todo o complexo do andar inferior da casa, ao nível do jardim, tudo com ar misterioso, um tanto gótico, dá para ver o nível inferior do claustro e imaginar a construção medieval da família Rufolo.

Era também timbre do romantismo não deitar fora vestígios do passado remoto, por aqui se escreveram lápides em latim, era o inglês do mundo medieval e moderno, inserida entre ruínas esta lápide acentua esse mesmo passado remoto.


O viandante detém-se nesse ponto alto que é o jardim superior, atravessou o Belvedere onde no verão se realizam eventos do festival de música de Ravello, imagine-se o que é um palco nesta altura, ouvir bela música, olhar as montanas e o mar sereno. Estão mais do que justificadas as três estrelas legadas pelo guia Michelin a esta sumptuosidade visual.



E vai começar o passeio pela Villa Cimbrone, as outras três estrelas do guia Michelin em Ravello. A Villa foi construída no início do século XIX por Lord William Bechett num estilo eclético que remete para Villa Rufolo. Ficamos hoje por aqui, percorreu-se uma álea encantadora que liga a Piazza Vescovado à Villa até se chegar ao balcão. É o mesmo esplendoroso panorama sobre Maiori, o Cabo Orzo e o Golfo de Salerno, um tanto a pique também se podem ver os terraços cultivados, mas é a extensão do Mar Tirreno e a mesma serenidade que já se sente em Villa Rufolo que nos lava a alma. E não apetece sair daqui.


(continua)

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