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  • Beja Santos

Cuidar bem de quem precisa de estar acamado


Beja Santos: Há acamamentos por doenças ou acidentes, podem ser semanas ou meses, e mesmo casos há de anos. É uma situação que exige cuidados especiais para prevenir as complicações que decorrem da imobilidade do corpo, cuidados de higiene e alimentação, o não descurar as mudanças periódicas de posição do acamado, zelar pela sua hidratação e estar sempre atento.

Sendo o quarto a divisão da casa na qual o acamado passa a maior parte do tempo, há que pensar no arejamento, na mudança diária da roupa da cama, sempre que possível, ter lençóis de algodão para evitar a transpiração do doente (é o tecido mais saudável para estar em contato com a pele). Os cuidadores de acamados aprendem rapidamente a mudar os lençóis, assegurando que o acamado não corre o risco de cair nem de ficar em posições muito desconfortáveis. A cama deve ocupar o lugar central do quarto, permitindo que o cuidador se movimente com facilidade para proceder às lavagens, ou ajudar o acamado a sair da cama. O banho é uma boa oportunidade para verificar o estado da pele, o corpo deve ser massajado com creme hidratante, a higiene da boca é de grande importância e as unhas devem ser mantidas curtas e limpas e cortadas a direito.

E vamos ao grande perigo, as escaras, também chamadas “úlceras de decúbito” ou “úlceras de pressão”; formam-se com o peso do corpo em determinadas zonas da pele, devido à compressão das partes moles que ficam entre o osso e uma superfície externa dura. É por isso que o acamado deve mudar de posição de duas em duas horas ou de quatro em quatro horas. Os primeiros sinais de uma escara podem ser apenas um ponto vermelho na pele ou uma pequena bolha. No caso do aparecimento de uma bolha, deve evitar-se a todo o custo que ela rebente, pois dá lugar à escara.

A prática de uma alimentação variada e equilibrada é indispensável: deve ser rica em frutas, legumes e vegetais frescos e todos os alimentos com fibra são importantes. Impõe-se a moderação nas gorduras, bem como no consumo de sal e açúcar. Diariamente, a pessoa acamada deve ingerir cerca de litro e meio de água, salvo indicação médica em contrário. Há casos em que o doente acamado só pode ser alimentado com sonda gástrica. Um profissional de saúde será o responsável por lhe dar essas instruções: alimentos triturados, a uma temperatura que evite queimaduras, enfim, há um conjunto de cuidados a seguir durante a alimentação, como é o caso de aspirar o conteúdo gástrico com auxílio de seringa, por exemplo.

Os medicamentos adequados ao tratamento do acamado devem ser tomados com a regularidade habitual. Quando o acamado não consegue deglutir comprimidos, devem-se preferir medicamentos em solução ou suspensão. A prescrição do médico ou a indicação do farmacêutico podem ser fundamentais. Sempre que possível, deve fazer-se um esforço para que o doente fique na posição de sentado (inclinado) no momento da toma dos medicamentos e se mantenha assim por quinze minutos ou meia hora. Este cuidado tem a ver com o facto de alguns medicamentos poderem ficar retidos no esófago e aí ocasionar úlceras graves.

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