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  • Beja Santos

Com os antiácidos não se brinca


Mário Beja Santos: Falando dos problemas gástricos, parece-me indispensável uma chamada de atenção. Quando as queixas digestivas, particularmente do estômago, são ocasionais e muitas vezes associadas a excessos alimentares, o recurso à indicação farmacêutica é admitido; mas se houver um quadro frequente de indisposição, não há que hesitar em ir o mais rapidamente possível ao médico.

As situações mais ligeiras podem ser aliviadas com a toma de antiácidos. O uso de medicamentos pode não ser suficiente, há medidas que ajudam a diminuir a frequência do refluxo: é o caso da redução da quantidade de alimentos, fazendo refeições menos volumosas; a redução do número de gorduras no conjunto das refeições; a não ingestão de bebidas gaseificadas; aguardar pelo menos duas horas antes de ir para a cama, após a última refeição; manter a cabeceira alta, entre outras medidas.

Os antiácidos devem ser tomados com conta, peso e medida. Não é indiferente a escolha do antiácido. Os antiácidos à base de alumínio ou de cálcio podem provocar prisão de ventre enquanto os que têm magnésio dão origem a diarreias. Para não alterar o comportamento intestinal, o ideal será preferir uma marca que associe estes dois tipos de antiácidos. Convém recordar que um insuficiente renal não pode tomar antácidos com magnésio. Há antiácidos com grande conteúdo em sódio, estes não devem ser tomados por hipertensos, diabéticos, insuficientes renais, doentes cardíacos, entre outros. Em resumo, todo o doente que precise de restringir o consumo de sal não pode tomar este tipo de antiácidos. Os antiácidos efervescentes nem sempre estão recomendados, porque o gás libertado, embora permita um alívio rápido das queixas do estômago, tem o efeito de ricochete.

Os antiácidos podem influir noutros tratamentos. Por exemplo, dá-se a diminuição da absorção de muitos medicamentos pela ação do antiácido no estômago, o que se traduz numa diminuição do efeito da terapêutica que o doente está a fazer. Esta interação é particularmente importante no caso dos antibióticos, que são neutralizados no estômago por ação dos antiácidos, diminuindo o seu efeito e mantendo-se a infeção. É pertinente, pois, a pergunta: deve-se optar pelo antiácido em gel ou em pastilhas? O primeiro, para além de neutralizar a acidez gástrica, protege a mucosa gástrica, podendo nalguns casos ser mais eficaz, não sendo necessária a sua dissolução. E quantas vezes ao dia se podem tomar antiácidos? Em média, recomenda-se cerca de três tomas por dia. Deve-se evitar fazer o que se vê constantemente nas pessoas que passam o dia a chupar pastilhas, esquecendo-se de que estão a tomar medicamentos.

Estes antiácidos sem receita médica exigem cuidados, a indicação farmacêutica é sempre recomendável, sobretudo quando se verifica associação com outros medicamentos. Para quem sofre de úlcera, os antiácidos aligeiram o sofrimento. Porém, isso pode mascarar a

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