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Artigo por Miguel Rodeia

Ativismo LGBTQI+ nas redes sociais

As redes sociais são ferramentas eficazes para o ativismo pelos direitos de LGBTQI+.
Além do acesso por computador pessoal, a generalização do uso dos ‘smartphones’ faz que sejamos internautas com acesso a todo o tipo de informação, comunicação e lazer.
Segundo vários estudos, onde os números não são muito diferentes, cerca de 94% dos que usam a internet acedem à rede diariamente, sendo as redes sociais e os ‘chats’ o principal motivo, seguindo-se o uso do acesso ao e-mail.

Poderá definir-se as redes sociais como um local, de interacção social visando a criação coletiva, à mútua colaboração, à transformação e onde se compartilha ideias em torno de interesses comuns dos seus utilizadores.
A interacção nas redes sociais é fulcral e pode ser vista de formas diferentes: a participação em sites de relacionamentos sociais, a participação em fóruns e em espaços de discussão bem como a criação e atualização de blogs, além do óbvio entretenimento.
A massificação do acesso e o desenvolvimento das redes sociais, o activismo LGBTQI+ foi-se adaptando às novas tecnologias de informação e comunicação para sua melhor organização e comunicação com os membros da comunidade. Além disso, a possibilidade do anonimato na rede permitem aos activistas LGBTQI+ de certos países menos democráticos actuarem politicamente na segurança do lar e longe dos perigos ainda existentes no mundo real.

Por outro lado, também os crimes com motivação homofóbica passaram a ser mais visíveis. Com o crescente reconhecimento global dos direitos humanos, direitos de orientação e auto determinação sexual, a violência homofóbica ou transfóbica tende a deixar de ser aceite como algo “normal” na vida social e ganha espaço nos média, passando a integrar o imaginário e a vida colectiva da sociedade em geral.

Neste contexto, as redes sociais, blogs, espaços de discussão, sites temáticos e ligações vídeo, são hoje ferramentas indispensáveis para a organização dos movimentos sociais, mobilização política, defesa, intercâmbio de informação, educação, visibilidade e aceitação. Além disso, oferece canais directos para denúncias de violações dos direitos humanos aos sectores do Estado responsáveis pela segurança pública e integridade do indivíduo a nível nacional ou internacional.

Um dos exemplos internacionais é a AllOut.org que surgiu em 2011, criada por dois jovens ativistas pela diversidade sexual e que mobiliza online a defesa dos direitos LGBTQI+.

Logo após o assassinato do ativista gay David Kato, a All Out lançou as suas duas primeiras campanhas.

Uma que pedia apoio da comunidade internacional contra uma proposta de lei que instituiria a pena de morte a gays e lésbicas no Uganda e em que mais de meio milhão de pessoas do mundo inteiro mobilizaram-se em menos de uma semana fazendo com que a proposta fosse retirada da agenda do Congresso do Uganda. A outra iniciativa de sucesso foi o impedimento da deportação da lésbica ugandesa Brenda Namigadde de Inglaterra.

Sem dúvida, estes são dois exemplos de como a internet pode ser usada para gerar respostas massivas e rápidas em situações de crise ou de violações de direitos.

Uma outra revolução promovida pelo uso das redes sociais é o encurtamento de distâncias. Há 15 anos, para se coordenar uma pequena acção de impacto regional, gastava-se muito dinheiro com telefone, despesas correio e com a deslocação de pessoas para a realização de reuniões presenciais. Hoje, com a popularização da banda larga, permite o acesso a fóruns de discussão e aos programas de comunicação em ‘podcast’ ou vídeo. Com esses tipos de ligação torna-se possível que os diferentes intervenientes não necessitem de sair dos seus países, cidades ou mesmo de sua casa, tendo estas ferramentas tornando-se numa forma vital de comunicação em tempos de pandemia.

Mas há o outro lado da moeda.
Para as atividades de grupos conservadores é uma ferramenta essencial na multiplicação das suas mensagens, manipulação e desinformação sendo essencialmente via internet que a divulgação, organização e mobilização para manifestações de grupos anti-LGBTQI+, neonazistas, revivalistas, etc…

Por tudo isto temos os meios e não podemos baixar os braços na defesa dos direitos humanos na generalidade e da comunidade LGBTQI+ em particular nestes espaços online.

O acesso à Internet é direito à informação, e o direito à informação é um direito humano.

 
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Recording studio equipment
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Artigo por Miguel Rodeia

‘Heteros’ que fazem sexo com homens


Ultimamente tenho ouvido, com alguma frequência, falar de homens que praticam sexo com outros homens e dizem não ser homossexuais.
Não foi necessária grande pesquisa para saber que existe sim e como se pode definir ou explicar essa identidade.
Um homem heterossexual pode conhecer outro socialmente e eles decidirem fazer alguma de cariz sexual, levando depois a sua vida perfeitamente hétero, sem que o encontro os faça duvidar da sua orientação. O que leva alguns homens a essas práticas? Por que será incorreto catalogá-los como gays ou bissexuais?

Hoje em dia, a aceitação da diversidade sexual é muito maior do que no passado. À medida que há uma maior tolerância, há quem saia um pouco do seu “armário”.
Poderão usar-se os conceitos como “heteroflexível” ou “heterocurioso” que pode definir os homens exploram a sua sexualidade sem a necessidade de questionar sua identidade como heterossexuais. Por outro lado, hoje em dia a Internet facilita o contato, em que o acto pode ser virtual ou físico e com alguma garantia de sigilo.

A orientação sexual é construída socialmente, são categorias rígidas e excludentes, com implicações que afetam a identidade individual e social. Forçosamente, a pessoa precisará de se encaixar em alguma destas três classificações: heterossexual, homossexual ou bissexual.
Já a prática sexual é mais flexível e mais livre, dado tratar-se um conceito descritivo, um espaço tremendamente saudável na exploração do desejo se abre quando a pessoa se liberta da identificação com uma orientação sexual pré-definida pela sociedade.

Fazendo aqui uma extrapolação entre os jovens, uma rapariga hétero pode beijar outra, pode gostar disso e mesmo assim continua a ser considerada hétero. Mas e os rapazes? Eles podem experimentar essa fluidez sexual? Ou beijar outro rapaz significa que são gays!?
Será que estamos perante um novo modelo de heterossexualidade que não se define como o oposto da homossexualidade?
A educação dos jovens tem sido bastante homofóbica e faz acreditar que é antinatural ter esses impulsos por outros homens.
Mas apesar disso encontra-se já na Geração Z uma grande abertura para as individualidades de cada um, o que pode proporcionar uma maior fluidez nas práticas sexuais.

Entre os homens héteros que praticam sexo com outros homens também haverá muitos narcisistas. O impulso narcisista daquele sujeito que gosta que prestem atenção nele e que acontece muito nos ginásios da cultura do corpo. Ele gosta de despertar admiração dos outros e não se importa se isso provenha de outros homens.

Por fim, serão afinal estes homens bissexuais?
Sendo a bissexualidade a atração romântica, atração sexual ou comportamento sexual tanto com homens como com mulheres ou por mais de um género.
A bissexualidade é uma das três principais classificações de orientação sexual, junto com heterossexualidade e homossexualidade.
Deveremos rotular estes homens que sendo heterossexuais como bissexuais não assumidos? Ou por outro lado, será mais correcto, independente das suas práticas sexuais, dar espaço para que cada um se auto-identifique como interiormente se sente?

miguel rodeia

 
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Artigo por Miguel Rodeia

Visibilidade lésbica

Esta próxima segunda-feira celebra-se em Portugal o Dia da Visibilidade Lésbica, data que se deve ao facto do Club Safo ter escolhido o dia 26 de Abril para a assinalar. A data é comum a alguns países, havendo outras datas para mesmo efeito no mundo e não havendo um dia específico a nível internacional.

O Clube Safo é a primeira associação lésbica portuguesa cujo colectivo data de 1996, tendo-se registado como associação só em Fevereiro de 2002.
Tem por objectivo o apoio e defesa dos direitos das lésbicas em Portugal, bem como ser um espaço de intervenção social, cultural, política e que promove uma imagem positiva da identidade lésbica.

Este ano entre outras iniciativas, decidiram falar “de visibilidade lésbica, de políticas e direitos de mulheres que têm relações com mulheres”. Para isso convidaram “três mulheres que participam no movimento de defesa destes mesmos direitos tanto pela sua visibilidade como pelos lugares de liderança que ocupam”.

Além das várias iniciativas do Clube Safo outros coletivos e pessoas a título individual terão a sua forma de assinalar a data.

A celebração do Dia da Visibilidade Lésbica ainda é necessário para a luta contra a discriminação, sensibilização e aceitação, a par das lutas da família Arco-Íris.
As lésbicas, além de enfrentarem o preconceito pela sua orientação sexual, ainda carregam a discriminação misógina diariamente.
A invisibilidade sofrida pela sociedade ainda é grande, especialmente em relacionamentos afetivos que são muita vez vistas como "amigas que moram juntas". 

Já os conflitos no ambiente familiar é um dos primeiros ambientes em que as lésbicas enfrentam o preconceito e vivenciam a violência, seja ela física, verbal ou psicológica. 
Muitas vezes a sua sexualidade é interpretada como uma tentativa de ser homem e isso têm forte impacto na forma como são tratadas, principalmente quando não é reproduzida a feminilidade heteronormativa da sociedade.

No dia-a-dia ainda verificam-se resistências mais ou menos visíveis.
No testemunho de uma lésbica pode ler-se: "Reparo também que as mulheres heterossexuais parecem ter medo de ficar sozinhas numa sala com uma lésbica, como se a gente fosse saltar para cima delas a qualquer momento. Mantêm distância, ficam de longe a observar”. 

A "aparência profissional" também é lembrada como algo usado contra as lésbicas. "Se não nos feminizamos, não nos maquiamos, não usamos salto alto, etc…, somos frequentemente rotuladas de ser ‘desleixada’ e ‘malvestida’, mesmo que os homens do local possam trabalhar de jeans e t-shirt sem nenhum problema", exemplifica. 

A lesbofobia tem impacto no acesso ao mercado de trabalho e muitos são apenas para trabalhos que não necessitam a interação com público. Quando estão inseridas no mercado de trabalho, o receio de rejeição e o tratamento diferenciado entre as mulheres héteros são realidade.
No mesmo testemunho pode ler-se que muitas acabam por deixar o trabalho presencial por causa das diversas situações de não-aceitação e com a disponibilidade das novas tecnologias, bem como a situação favorável gerada pela pandemia, tornou-a mais recorrente.

Estamos perante uma sociedade machista e misógina que define qual o padrão aceitável de existência e classifica os seres humanos a partir da dualidade, impondo já as característica esperadas por essas duas possibilidades que eles mesmo definem e que exclui totalmente outras expressões de género e sexualidade.
A criação do Dia da Visibilidade Lésbica propicia que o debate seja colocado em diversas áreas da sociedade, sendo a data importante para que a existência lésbica seja normalizada.

É por meio da visibilidade que, pouco a pouco, se consegue transformar o imaginário coletivo, a cada passo que tentamos dar rumo a uma transformação das realidades para as próximas gerações.
A terminar gostaria de deixar aqui a ideia que o fortalecimento do feminismo é uma forma eficaz de enfrentar a lesbofobia.

 
 
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Por  Pedro Alfacinha

Carrossel Russo

Tchekhoviana é uma viagem pelos ambientes, cores e emoções da Rússia dos fins do século XIX, através das personagens e situações intemporais das peças em um acto, de Anton Pávlovitch Tchékhov. Vamos acompanhar peregrinos Na Estrada Real, entrar sem convite n’A Boda, surpreender o actor decrépito de O Canto do Cisne, rir com os conflitos amorosos de O Urso ou de O Pedido de Casamento, as desventuras de O Trágico à Força, os mal-entendidos de O Aniversário do Banco e (des)aprender com os (in)dispensáveis ensinamentos da palestra sobre Os Malefícios do Tabaco.

Na História do Teatro Não-Profissional em Portugal, estes universos de "estados de alma" e da invenção da personagem, do genial dramaturgo russo, sempre foram muito glosados. Congregámos tudo na estalagem-taberna-albergue da Estrada Real, síntese, ao mesmo tempo funcional e metafórica, de uma humanidade-a-caminho, em transição, um cenário que nos serve à medida justa para o pequeno pitoresco quotidiano, a graça amarga, o dichote mordaz, a melancolia de uma cantiga, enfim ... um carrossel de grande humanidade, lirismo e lucidez, próprios da poesia do autor de Platonov.

“Tcheckhoviana”

Grupo d’Artes e Comédias do Grupo Desportivo e Cultural do Banco de Portugal

Ficha Artística

Encenação: Miguel Loureiro (com Carla Maciel)

Assistente de encenação: Bernardo Beja

Sonoplastia: Miguel Loureiro

Iluminação: Daniel Worm

Desenho Gráfico: Miguel Assunção

Guarda-Roupa e Cenografia: Inês Peres

Elenco: Beatriz Filipe, Cátia Araújo, Filomena Bispo, Francisco Sousa, Guilherme Soares, Isabel Lage, Laura Ferreira, Luís Alexandre, Lurdes Colaço, Mário Filipe, Pedro Fialho, Rui Leitão e Teresa Nogueira

Operação de Luz: João Lacueva

Operação de Som: Duarte Molarinho

Produção: Filomena Bispo, Isabel Lage, Rui Leitão

Classificação etária do espetáculo: > 12 anos

 
A Young woman in a recording studio
A Young woman in a recording studio

Recording studio equipment
Recording studio equipment

Radio Interview
Radio Interview

A Young woman in a recording studio
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Artigo por Miguel Rodeia

Conquistas para uma década

Na semana em que se celebrou três anos da aprovação da Lei que consagra o direito à identidade de género, reconhece a autodeterminação das pessoas trans e proíbe cirurgias medicamente não necessárias em crianças intersexo em Portugal, em jeito de balanço verifica-se que ainda há um longo caminho a percorrer no que lhe diz respeito.
A aprovação desta Lei foi só um começo no que concerne a Direitos Humanos e aceitação plena destas pessoas.

A ILGA Portugal na sua página esclarece que esta “veio garantir que as pessoas trans adultas sabem quem são e que são detentoras exclusivas da legitimidade para alterar o seu nome e sexo legal no registo civil. Inovou também ao permitir um processo de reconhecimento da identidade de género para jovens com mais de 16 anos – nestes casos mediante consentimento parental acompanhado de uma declaração médica não patologizante que atesta a livre e esclarecida vontade da pessoa menor de idade”.

“Esta lei precisa ainda de muitas melhorias, como assegurar o acesso a menores, reconhecer a identidade de género de pessoas beneficiárias de proteção internacional e migradas ou reconhecimento de identidades não-binárias, de revisões ao nível do estado civil e reconhecimento da parentalidade de pessoas trans e de adequação de disposições relativamente a crianças e pessoas intersexo”, lê-se ainda na página da associação.
Em abordagens que fiz sobre estes temas, tenho referido que esta é a década da luta pelos direitos das pessoas trans, intersexo e não-binárias.

No que diz respeito à Comunidade Arco-Íris também o Brasil vai dando os seus passos na conquista de direitos.
A título de exemplo a justiça brasileira emitiu primeira certidão de nascimento de pessoa não-binária, atribuindo "Sexo não especificado".
Uma juíza do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina concedeu o direito de uma pessoa não binária alterar sua certidão de nascimento para género “neutro”, segundo notícia divulgada do Jornal O Globo.
Até então, a pessoa a pessoa em causa era identificada como do género “masculino”. Ela tentou mudar extrajudicialmente o nome e o sexo para “não identificado“, mas o caso precisou de ir a tribunal. 

No entender da Magistrada há que reconhecer que é fundamental que a pessoa agénero seja juridicamente reconhecida. Ela destacou ainda que o poder judiciário deve espelhar o enquadramento jurídico de “travar a discriminação das minorias, garantindo a todos o exercício pleno de uma vida digna”. 
“Não se pode negar um direito de não identificação de sexo em razão de um anseio que vem da sociedade e à escala mundial, não só no Brasil. A adequação encontrará espaço, seja na voz da sociedade ou na legislação, o que dependerá do devido tempo, como ocorre em outros países que não têm o pronome neutro”, afirmou a juíza. 

No entanto é bom esclarecer que esta pessoa não é a primeira pessoa não-binária a ser reconhecida no Brasil. Em Setembro de 2020, um Juiz da 1ª Vara de Família da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, autorizou que a pessoa não-binária, Aoi Berriel, de 24 anos tivesse “sexo não especificado” em sua certidão de nascimento. 

Mas nem tudo corre nesse sentido pelo mundo. 
Em sentido inverso ao caso do Brasil, uma proposta de lei no Parlamento de New South Wales, Austrália, proibiria o reconhecimento de jovens trans e de género diverso das comunidades escolares e demitiria professores que lhes dessem apoio.
A lei exacerbaria o isolamento, a exclusão, a discriminação e o bullying vivido por jovens LGBTQI +, particularmente jovens trans e com diversidade de género.
Sendo aprovada, essa proposta de lei reverteria as conquistas já obtidas na promoção de comunidades escolares mais inclusivas e tornaria extremamente difícil para crianças transgéneros e de género diverso receber uma educação, muito menos a educação que todas as crianças merecem e têm direito na Austrália.
É parte de uma reação crescente à igualdade LGBTQI + na Austrália, que inclui propostas de leis que revogam as proteções contra a discriminação em nome da "liberdade religiosa".
O Parlamento de Nova Gales do Sul deve rejeitar completamente a legislação proposta, afirmar o direito dos alunos transgéneros e de género diverso a uma educação plena, igualitária e inclusiva e proteger a dignidade e a igualdade de todos os jovens LGBTQI +.

Estes exemplos mostram que ainda há muito a fazer para a verdadeira integração das pessoas trans, intersexo e não-binárias.
E repetindo-me mais uma vez, não podemos dar os direitos adquiridos como irreversíveis. Torna-se, nos tempos em que vivemos, imperioso lutar para os manter.

 
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Artigo por Miguel Rodeia

Família Arco-Íris e a pandemia


Pelo mundo fora a comunidade LGBTQI+ viu agravadas as fragilidades que já conhecemos, pela pandemia e suas restrições.
Vejamos duas situações em tudo diferentes.
Em vários países as Organizações, Associações e outros colectivos de apoio à causa LGBTQI+
empenharam-se a dar o maior apoio possível às pessoas mais vulneráveis.
Dessas, pessoas os adolescentes LGBTQI+ durante a pandemia e devido à ausência de escola e de convívio com os amigos, fez com que muitos se sentissem mais isolados e solitários, dado que muitas famílias nem sempre sabem ou não aceitam a sua sexualidade ou identidade.

Numa pesquisa da ‘Just Like Us’ com mais de 1.100 jovens LGBTQI+ sugeriu que uma proporção maior do País de Gales se sentia solitária do que em qualquer outro lugar no Reino Unido.
Estudo esse mostrou que os adolescentes LGBTQI+ que eram negros, elegíveis para apoios sociais ou portadores de deficiência, foram os mais atingidos.
O presidente-executivo da organização, Dominic Arnall, defendeu que os adolescentes precisam de uma mensagem positiva de aceitação das autoridades e que as escolas devem intervir tornando-se também redes de apoio.
Existem organizações e serviços de apoio que são específicos para a comunidade LGBTQI+ e muito trabalho foi desenvolvido com uma maior variedade de auxílios de linha de frente para os ajudar.

 As pessoas LGBTQI+ já vivenciam situações difíceis, que se agravam com a pandemia e isso tem um grande impacto nas suas vidas. Algumas dessas pessoas, das diversas raças, pessoas trans e pessoas que vivem na pobreza, estão mais expostas não apenas ao coronavírus, mas também mais frágeis face às consequências sociais e económica.
Portugal não foi excepção no apoio extraordinário à Comunidade Arco-Íris.
Por cá, a maioria das associações LGBTQI+ desenvolveu e promoveu acções solidárias de protecção para os mais fragilizados.

Gostava de salientar, entre as muitas acções desenvolvidas por associações e organizações, o esforço da Rede Solidária LGBTI+ das organizações que compõem a Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa, por ser um colectivo onde a união fez a diferença.
A iniciativa denominada ‘Continuamos a Marchar’, onde a verba que se destinava à organização da Marcha de Lisboa no ano passado foram usados para dar respostas e apoio às comunidades LGBTQI+, comunidades Roma, pessoas migrantes e trabalhadoras do sexo. A Rede iniciou o seu trabalho como o apoio a despesas como contas de luz, água e gás, apoio à habitação, suporte alimentar, apoio medicamentoso, transporte, entre outras despesas de primeira necessidade.
Também foi possível ajudar pessoas no acesso a apoios estatais e camarários, e na obtenção de informações relevantes para o seu bem-estar e independência.
Para além desse valor inicial, foram angariados em donativos desde final de Agosto de 2020.

Contaram ainda com o apoio da Linha de Emergência Nacional da Segurança Social que ajudaram muitas pessoas a não ficarem em situação de sem-abrigo. Apoio também do departamento dos Direitos Sociais, bem como do pelouro da Habitação e Desenvolvimento da Câmara Municipal de Lisboa, que trabalharam directamente com as pessoas necessitadas em coordenação com a Rede Solidaria.
A colaboração de Associações e colectivos que deram apoio ao fornecer bens, medicação, a aceder a informação para obter serviços do SNS para pessoas em situação irregular e na procura de emprego.
Esta Iniciativa terminou no mês de Março por falta de fundos e recursos humanos.

Aqui expresso o meu bem hajam, a todas organizações e seus membros que em todo o País se associaram à causa da ajuda às pessoas da família Arco-Íris, a todos os voluntários que participaram das mais diversas formas e a todos os que de alguma forma contribuíram financeiramente para estas acções de solidariedade.

A pandemia ainda está longe de ser vencida e os seus efeitos serão sentidos pela nossa comunidade, sobretudo as pessoas mais fragilizadas, nos próximos anos.
Torna-se necessário continuar a fazer tudo o que for possível para apoiar as organizações, que unidas serão mais fortes e estarão à altura dos desafios que ainda estão para vir.

Entre em contato
 
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Artigo por Miguel Rodeia

Março de 2021
(ou resenha de imprensa)
A União Europeia trabalha para promover a igualdade e combater a discriminação em razão da orientação sexual, da identidade de género e das características sexuais. 
O seu objetivo é garantir a proteção dos direitos de todas as pessoas LGBTIQ na UE. Numa resolução adotada em dezembro de 2019, os eurodeputados condenaram veementemente o estabelecimento de ‘‘zonas livres de LGBTI’’ na Polónia, bem como todos os tipos de ataques contra os direitos LGBTI em outros Estados-Membros. 
No dia 11, os eurodeputados votaram e aprovaram a resolução, enfatizando que qualquer tipo de discriminação contra as pessoas LGBTIQ é uma violação clara dos valores fundamentais europeus.
Com aval do Papa, o Vaticano proíbe a bênção da união gay e classifica homossexualidade como pecado.
O Vaticano anunciou, no dia 15, que padres e outros ministros não podem abençoar uniões entre pessoas do mesmo sexo. Segundo nota oficial divulgada pela Congregação para a Doutrina da Fé, um dos órgãos responsáveis por estabelecer diretrizes para os católicos, "Deus não pode abençoar o pecado". A decisão é percebida como uma vitória da ala conservadora da Igreja.
O decreto faz ainda uma distinção entre as boas-vindas da Igreja e a bênção de pessoas homoafectivas, que será mantida. mas não das suas uniões.
Três semanas depois de ser criado um grupo de trabalho pelo Ministério da Saúde, e depois de denúncias de discriminação a homossexuais na dádiva de sangue, foi no dia 19 atualizada a norma da DGS para a doação de sangue que deixa de incluir nos grupos de risco homens que fazem sexo com homens. Neste dia, considerado histórico pela ILGA, um grupo de pessoas LGBTI dirigiu-se ao Instituto Português do Sangue e da Transplantação para ver se a nova norma estava a ser cumprida. E estava.
A atualização da norma n.º 009/2016, agora publicada pela DGS, que a partir de agora deixa de incluir nos subgrupos de risco ‘homens que fazem sexo com homens’. Uma revisão que surgiu após a análise de um estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre “Comportamentos de risco com impacte na segurança do sangue e na gestão de dadores: critérios de inclusão e exclusão de dadores por comportamento sexual”.
A ILGA Portugal considera ainda que o questionário a apresentar às pessoas candidatas à dádiva de sangue pode ser melhorado, já que confunde os conceitos de sexo, identidade e características sexuais, erradamente ligando as pessoas intersexo a identidades e expressões de género não binárias, revisão pela qual a Associação irá continuar a pugnar.
Já Hélder Bértolo, presidente da Associação Opus Diversidades, lembrou que "em 1999, numa acção promovida pela então Opus Gay, o GTH do PSR e a ILGA Portugal, gays tentaram doar sangue e foram recusados. Passados 21 anos, e depois de vários avanços e recuos, e de muita hipocrisia, esperamos que se verifique o ditado popular «mais vale tarde do que nunca».”
Em repúdio de decisões limitadoras das liberdades das comunidades LGBTIQ em países como a Hungria ou a Polónia, no dia 22, a autarquia declarou, Lisboa como uma Zona de Liberdade LGBTIQ.
O Município aceitou assim a indicação publicada no dia 11 pela União Europeia.
Em que, "As pessoas LGBTIQ em toda a UE devem gozar da liberdade de viver e mostrar publicamente a sua orientação sexual e identidade de género sem receio de intolerância, discriminação ou perseguição", apelando também que "As autoridades europeias a todos os níveis de governação devem proteger e promover a igualdade e os direitos fundamentais de todos." 
Enfim, pode dizer-se em jeito de balanço, que Março de 2021 foi um bom mês dado que várias causas da Comunidade Arco-Íris estiveram em cima da mesa.
miguel rodeia

 
 
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Artigo por Miguel Rodeia

Vaticano vs uniões do mesmo sexo

Foi grande o alarde pelo o anúncio do Vaticano da proibição de padres abençoarem as uniões de pessoas do mesmo sexo.
Olhemos para alguns números para entendermos de facto a importância dessa decisão.

Existem nas três maiores religiões, de grosso modo, 4.7 mil milhões de fiéis, numa população mundial de 7,8 mil milhões, mais coisa menos coisa.
O cristianismo tem aproximadamente 2,2 mil milhões de seguidores o que significa cerca de 28.5% da população mundial.
A Igreja Católica Apostólica Romana tem cerca de 1,2 bilhão de seguidores em todo o mundo ou seja cerca de 14.5%.
Ora esta decisão dirige-se teoricamente a apenas 14.5% da população mundial. Digo teoricamente uma vez que destes 14.5% ainda há os praticantes e os não-praticantes.

Na impossibilidade de saber o número de pessoas homossexuais no mundo, uma vez que nem todos os países a sabem, como é o caso de Porutgal, estima-se que rondará entre os 10% e os 15% ou seja entre 78 a 11.7 milhões de pessoas.

Olhando para Portugal, a Santa Sé revela que existem um total de 9,183 milhões de católicos numa população de 10,34 milhões, de entre os quais praticantes e não praticantes. Sendo que os praticantes ficarão abaixo dos 2 milhões de pessoas.
Extrapolando as mesmas percentagens os homossexuais serão entre 1 a 1.1 milhões de pessoas.
Concluindo assim que esta directiva do Vaticano visa apenas cerca de um quinto da população em Portugal.
Mas de facto o que importa esta posição do Vaticano num casal homossexual?
Cada um dá o significado e a importância de a sua união ser abençoada pela Igreja Católica, é da esfera pessoal de cada um.
Para a comunidade homossexual no seu todo não me parece de grande relevância.

Sabemos que o Papa Francisco nada tem contra os homossexuais e que os respeita.
Em 2003 questionou-se "Se uma pessoa é gay, busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?" marcando a sua posição pessoal quanto as pessoas homossexuais.
Já em 2020 Francisco afirma, 'Eles são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser excluído ou forçado a ser infeliz por isso', ao abordar a união civil de homossexuais.
Já no documentário de Evgeny Afineevsky, Francisco afirma, "Os homossexuais têm direito a formar uma família", sublinhando "Eles são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser excluído ou forçado a ser infeliz por isso."
"O que temos que fazer é criar uma legislação para a união civil. Dessa forma, eles ficam legalmente cobertos.", defendeu.
Mas o Papa Francisco não é a Igreja Católica. E essa sim, é mais conservadora e fechada que o seu Sumo Pontífice.
Então o Vaticano revelou que os padres e outros responsáveis da Igreja Católica não podem aprovar uniões de casais do mesmo sexo e que essas bênçãos não são permitidas. 
Decisão esta, que visa alguns padres em vários países, que começaram a abençoar as uniões entre casais do mesmo sexo bem como a pedidos feitos a bispos para institucionalizar este acto na igreja.

Concluindo e resumindo, a ‘montanha pariu um rato” como se costuma dizer em linguagem popular.

 
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Artigo por Miguel Rodeia

Que sigla?

Está longe um consenso na sigla para a comunidade Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer, Intersexuais, Assexuais, Pansexuais, recorrendo ao símbolo '+' a representar outras sexualidades e identidades de gênero.
Começa agora a ser mais usada a sigla LGBTQIA+. Resolvi por isso fazer uma pequena sondagem durante uma semana sem qualquer valor ou rigor técnico, apenas com a finalidade de ter alguma base para o que aqui abordo. Qual a sigla correcta?

Recorri a páginas do facebook, duas portuguesas e três internacionais todas dirigidas à comunidade a fim de tentar compreender melhor a opinião das pessoas.
Na sondagem perguntava qual a sigla que pensavam melhor representar a comunidade. Assim apresentei várias hipóteses, a saber, LGBT+, LGBTQ+, LGBTQI+, LGBTIQ+, LGBTQIA+ e LGBTIAQ+.
Sem grande surpresa na soma dos resultados nas páginas nacionais a escolha recaiu com destaque em LGBT+ e LGBTQI+, tendo sido acrescentado por um membro de uma das páginas a palavra QUEER representando todas as individualidades da comunidade.  
Nas páginas internacionais já a mais votada foi LGBTQIA+, mas ficando logo a seguir a LGBT+.

Perante estes resultados, que valem o que valem, confirmo que há uma falta de entendimento na comunidade quanto à sigla que a represente.
Da sigla inicial GLB dos anos 70, esta tem evoluído ao longo do tempo. Na década de 80 passou a usar-se de forma generalizada a sigla LGBT.
Com a evolução da compreensão das questões de género a letra ‘T’ passa a ter dois significados. De se referir apenas à transexualidade, passou a representar na sigla as pessoas transgénero.

Com o início do novo século passou a ser recorrente a sigla LGBTQ+, sendo assim mais abrangente. O sinal ‘+’ refere-se a todas as demais formas de sexualidade, identidades de género e de género fluido.
A sigla completa que é mais usada, é LGBTQIAP+ que significa Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer, Intersexuais, Assexuais, Pansexuais e o ‘+’ que representa outras sexualidades e identidades de género.

As diversas siglas não são consensuais no mundo inteiro. As escolhas no continente americano predominam, já sofre algumas variações na América do Sul. Na Europa as preferências diferem de país para país. Para os lados asiáticos e africanos também diferem entre países e sobretudo influenciadas pela aceitação de pessoas da comunidade nas suas culturas e legislações.
Seria solução, uma entidade de nível mundial definir uma sigla a ser usado de forma igual em todo o mundo? Não creio que a solução passe por essa ‘imposição’ numa comunidade que na sua génese tem a diversidade e a diferença como base na sua existência.
Em Portugal não é diferente do resto do mundo. Não há uma consensualidade quanto à sigla e tendo em conta que é um país onde os direitos da comunidade já estão muito bem espelhados na Lei, embora ainda haja muito ainda a conquistar.
Entre as várias organizações, associações, activistas e pessoas em geral há preferências diferentes. Não há uma sigla que se possa dizer que é a correcta ou que esteja errada.
Façamos justiça à pluralidade da comunidade e que cada pessoa escolha a sigla em que sente melhor enquadrada e representada.

Por mim confesso que me agradou bastante uma sugestão que veio de Amesterdão na Holanda, deixar o recurso a siglas, porque ‘fica sempre alguém de fora’ e adoptar como forma de fazer referência à comunidade, ‘Família Arco-Íris’ e ‘Comunidade Arco-Íris’.
Vou pensar nisso.

 
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Artigo por Miguel Rodeia

Série e filmes LGBTQI +

A mudança de paradigma de como vemos televisão ou acedemos a filmes e séries em multiplataformas, mudou os nossos hábitos.
Presentemente em parte dos lares é possível ver o que se quer, quando se quer.
Os canais de conteúdos abriram todo um novo leque de variedade de produtos de ficção onde têm cabimento séries e filmes de temática LGBTQI +.

O confinamento permite-me dedicar mais tempo à televisão com acesso a todo o tipo de plataformas. Entre esses canais os mais populares são a Netflix, HBO, Prime vídeo e AppleTV, YouTube e Vimeo que lideram o mercado.

Nestas plataformas de streaming há uma clara aposta em séries, filmes, documentários, reality shows de temática LGBTQI +, bem como ser cada vez mais comum nas que têm produção própria de conteúdos, haver uma ou mais personagens da comunidade no enredo nas que não são sobre ou dedicados a esse tema.

Existe ainda plataformas como a LGBTFLIX ou a Revry apenas e só com conteúdos LGBTQI +.
No intuito de levar esses conteúdos a uma comunidade mais vulnerável, uma ONG Vote LGBT, criadora da plataforma LGBTFLIX, justifica a iniciativa pelo facto de algumas pessoas se sentirem mais atingidas pelo sentimento de isolamento uma vez que estão confinadas a um único espaço, muita vez hostil à sua individualidade, bem como uma forma de dar uma maior sensação de integração na comunidade de gays, lésbicas, bi e transexuais e transgéneros.
De origem brasileira a LGBTFLIX, de acesso gratuito, é focada em curtas-metragens e filmes para todas as letras da sigla. Todas as produções são dirigidas por cineastas LGBTQI + brasileiros ou têm a comunidade como tema.

Reconheço que me dá um prazer enorme, ter serões seguidos a ver conteúdo dedicados à nossa comunidade. Destaco as séries e filmes, onde personagens LGBTQI+ estão inseridas no enredo, trazem ao meu imaginário uma sociedade igualitária em que todos se convivem saudavelmente com suas individualidades. É uma forma de descolar da realidade e viver por minutos ou umas horas em ambientes com os quais me identifico e me sinto confortável.

Além do lado lúdico essas séries, filmes e documentários alguns transportam-nos para o passado e leva-nos a recordar muito do que foi vivido ou ultrapassado, seja pelo lado bom ou mau da história, da convivência ou das lutas da comunidade. São também excelentes para a aprendizagem dos mais novos que usufruem agora de direitos que a muitos custou tanto a conquistar.

Enfim, estes canais trazem-nos séries, filmes, documentários, reality shows que não têm lugar nos canais generalistas e em sinal aberto para que uma família ou toda uma sociedade aprendam a aceitar as diferenças individuais, permitindo assim que a visibilidade traga a naturalidade, através dessas histórias e história da comunidade LGBTQI +.

 
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Transfobia dos pares

Artigo por Miguel Rodeia

Transfobia dos pares

Um acampamento privado que antes de ser inaugurado em Michigan, nos Estados Unidos, destinado a homens gay, anunciou que era proibido homens trans de participarem.
Bryan Quinn, cofundador da iniciativa, numa publicação do grupo no facebook, esclareceu, “O Camp Boomerang é um acampamento para autocaravanas, apenas para membros e que permite apenas 'rapazes'. Um 'rapaz' é definido como uma pessoa com um pênis, que se apresenta como homem e tem uma identidade emitida pelo estado que diz 'homem' ”.

Confesso que situações como esta me custam a entender, nos dias de hoje, e me incomodam bastante.
Põem em causa a união e harmonia desejada da comunidade LGBTQI+, tornando mais difícil as lutas pela igualdade que temos ainda pela frente
Este é apenas um exemplo de muitas discriminações dentro da nossa comunidade e que me tenho empenhado em combater.

Claro este tipo de discurso não caiu em saco roto e de imediato provocou reações à publicação. 
Num comentário podia-se ler “se havia planos para que se realizasse verificações de pénis antes de entrar no acampamento?”. Quinn então admitiu sem rodeios que se houvesse “mulheres que agem como homens” no grupo, forma como ele se refere aos homens trans, isso incomodaria os planos de outros homens de ficarem nus juntos.
Ao que ainda acrescentou, “Nunca dissemos nada sobre verificação do pénis, mas vamos ser sinceros, se deixarmos os homens trans entrarem e eles forem nus na piscina, é quando fica óbvio que não há pénis. 
Bryan Quinn mostrou-se ser uma pessoa transfóbica e com uma posição extremista e fundamentalista.
Foram muitos os comentários de desagrado que teve e como consequência vários participantes desistiram de ser membros do grupo do facebook que deixou de estar disponível sem justificação.

Mas não se trata de um caso isolado fruto do pensamento de um energúmeno. 
O Windover Women's Resort, um acampamento para mulheres, a organização exige que toda e qualquer artista de drag em eventos para o grupo fossem mulheres cisgénero, sinalizando que não seriam receptivas à participação de mulheres trans do grupo.

Mas felizmente há o outro lado da moeda.
Um outro acampamento, o Campit Resort em Saugatuck , não tem qualquer restrição gênero ou identidade. “Nossas políticas e culturas estão a 180 graus de Camp Boomerang”, disse o proprietário Michael O'Connor. “Eles podem fazer o que quiserem. Mas não apoiamos atitudes como essa em Campit, somos muito receptivos. ”

Toda esta situação, mesmo que passada no Estados Unidos e a título de exemplo, traz a lume a existência de muito preconceito e falta de conhecimento sobre as pessoas transgénero.
Em todo o Mundo essa falta de informação e consequente incompreensão é generalizada na maioria das pessoas.
A agravar, vejo pessoas da nossa comunidade com atitudes transfóbicas por falta de informação e entendimento, mas também por puro preconceito.
Existe muita informação escrita e em vídeo disponível ao alcance de qualquer um, mais ou menos aprofundada, para que se comece de vez a reconhecer, a respeitar e aceitar as pessoas transgénero. E deve começar dentro da comunidade LGBTQI+.
Se não nos entendemos, respeitamos e nos aceitamos uns aos outros, quem o irá fazer, que diabo!

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O Incontornável

Artigo

O incontornável

Todas a pessoas tem o direito a dizer disparates e o que lhes bem aprouver. Já um Professor Catedrático, no exercício da sua profissão, não pode dizer o que lhe dá real gana pois tem à sua responsabilidade o ensino e formação de jovens, bem como a sua preparação para o seu futuro como juristas.

O caso dos textos do Juiz João Pedro Barrosa Caupers feitos há uma década tornaram-se num assunto actual e incontornável esta semana.
Sendo o que mais me aflige é que parece que Barrosa Caupers parece não se dar conta da gravidade das suas palavras, que reflectem o seu pensamento e visão da sociedade.
Debruço-me aqui apenas do que à Comunidade LGBTQI+ diz respeito e às tentativas de justificação do injustificável.
Não abordo para outras questões que abordou com o mesmo desrespeito como as mulheres, os vegetarianos ou os budistas.

Logo a começar, apraz-me explicar, que toda e qualquer cidadã ou cidadão deve ser aceite em todas as suas particularidades e identidade, não “tolerada” como refere o Magistrado. Mas Barrosa Caupers parece não entender essa diferença.
Parece não entender que "Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.", segundo a Constituição Portuguesa.

Vem agora com paninhos quentes dizer, segundo carta dirigida ao Semanário Expresso, que se atribui a uma "falha de comunicação" o facto de o Diário de Notícias não ter publicado as suas explicações, e que "os textos que então publiquei na página web da minha Faculdade constituíam um instrumento pedagógico, dirigido aos estudantes que, para melhor provocar o leitor, utilizava uma linguagem quase caricatural, usando e abusando de comparações mais ou menos absurdas, não reflectindo necessariamente as minhas ideias".

No entanto, por outro lado e ainda segundo o Expresso, desde que foi nomeado Conselheiro do Tribunal Constitucional deixou de escrever textos do mesmo género "não por qualquer mudança de convicções – que, repito, nunca estiveram em causa -, mas porque escrever textos polémicos não é compatível com a discrição que se exige a um juiz".

Perante este facto de vir agora para os média dizer que o que escreveu não corresponde ao seu pensamento, está a querer enganar quem!? Afinal quais são as suas verdadeiras ideias? 
Até agora as que conheço são xenófobas e conservadoras, mesmo que para “provocação” dos estudantes e academicamente falando.

Ainda ao Jornal Público afirma que são “Textos graves e amargos, uns, ligeiros e tolos”, assim os define e acrescenta, “Escrevi o que escrevi e assumo a inerente responsabilidade. Mas, na maioria dos casos, voltaria a escrever o que escrevi”. 
Ou seja quererá dizer nestas afirmações que continua com a mesma forma de ver a sociedade, os mesmos pensamentos e ideias retrógradas, só não as escreve.

Portugal é um País que constitucionalmente aceita pessoas LGBTQI+.
A Lei defende e promove a igualdade, a inclusão e aceitação de todas as minorias.
Pode uma pessoa discordar da Constituição? 
Pode.
Pode o Presidente do Tribunal Constitucional discordar da Constituição? 
Não.

Por fim, também se declarou "não disposto, nem disponível, para ser tolerado por eles", referindo-se aos homossexuais. 
Ora nesse aspecto estou de acordo.
A comunidade LGBTQI+, o lobby gay a que Barrosa Caupers se refere, não o irá tolerar ou aceitar que presida a um Tribunal que existe para fazer cumprir uma Constituição em que o seu Presidente não se revê ou respeita. 
Com toda esta situação o lugar de Presidente do Tribunal Constitucional fica comprometido, fica débil pois o desempenho do Juiz estará sempre em causa, tratando-se de casos de caráter social ou referente a minorias que a Constituição defende por isso mesmo - serem minorias. 

Mas que não se apoquente o Sr. Magistrado, que já estamos habituados a lutar pelos nossos direitos que tantas vezes nos tentam vedar.
Nunca nada foi fácil para nós e a nossa capacidade de resistência é enorme.

Miguel Rodeia

 
 
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EUA e a defesa dos direitos LGBTQI+ globais

EUA e a defesa dos direitos LGBTQI+ globais

O presidente Joe Biden, recém-eleito, emitiu um memorando histórico comprometendo os Estados Unidos a promover os direitos LGBTQI+ no cenário internacional.
Esse documento visa os Direitos Humanos de Pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros, Queer e Intersexo em todo o mundo sendo direccionado às representações americanas que operam no exterior “para garantir que a diplomacia dos Estados Unidos e a assistência estrangeira promovam e protejam os direitos humanos de pessoas LGBTQI+.”

Biden pretende com esse documento que as representações combatam a criminalização da identidade ou conduta LGBTQI+, mas também protejam refugiados e requerentes de asilo, bem como que abordem os abusos dos direitos humanos que afetam essas pessoas.
Apela também à conjugação de esforços com nações com interesses semelhantes e organizações internacionais para combater a discriminação das pessoas LGBTQI+. 

Existem cerca de 70 países em todo o mundo que atualmente têm leis que criminalizam as relações entre pessoas do mesmo sexo entre adultos consentidos, de acordo com a Human Rights Watch.
Destes países, um destaque para Angola que deu um enorme passo em frente, esta semana, ao decidir pôr em vigor uma Lei que descriminaliza a diversidade das relações afetivas, como introduz a penalização de casos de discriminação por orientação sexual.
Já o ex-presidente Barack Obama tinha emitido o primeiro memorando presidencial dirigindo às representações dos EUA no exterior para promover os direitos LGBTQI+ globalmente em 2011, tendo Biden explicitado que sua ordem "se baseia nesse legado histórico".

O documento refere ainda que “Os Estados Unidos estão na vanguarda dessa luta falando abertamente e defendendo nossos valores mais queridos. Será a política dos Estados Unidos a lutar também para o fim da violência e da discriminação com base na orientação sexual, identidade e expressão de género, ou características sexuais e liderar pelo poder de nosso exemplo na causa do avanço dos direitos humanos de pessoas LGBTQI + em todo o mundo.”
Joe Biden foi até mais abrangente ao afirmar, “Quando defendemos os direitos iguais das pessoas em todo o mundo, das mulheres e crianças, dos indivíduos LGBTQI+, das comunidades indígenas e das pessoas com deficiência, das pessoas de todas as origens étnicas e religiosas, garantimos também que esses direitos sejam protegidos para nossos próprios filhos aqui na América”.
Biden já tinha revogado a proibição da administração Trump, da possibilidade de pessoas transgénero servir nas forças armadas. 
A Human Rights Campaign, a maior organização de direitos civis LGBTQI+ dos EUA, disse que o memorando mostrava “que os Estados Unidos são uma nação que valoriza as pessoas LGBTQI+ quer dentro ou fora das suas fronteiras e que está disposto a lutar para garantir que todas as pessoas possam viver livres e iguais.”
Por fim, o Presidente Joe Biden pediu às embaixadas e outras representações americanas no estrageiro que liderem, com o poder do exemplo, o que os EUA pretendem agora fomentar a nível global.

Miguel Rodeia 

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António Serzedelo – Uma Vida Alternativa

Memórias e Experiências de um Ativista

António Serzedelo – Uma Vida Alternativa

Memórias e Experiências de um Ativista
Ativismo desde de jovem!
Uma das memórias enquanto jovem ativista de António Serzedelo, foi a manifestação por causa do mau serviço da companhia de água e luz, o SMAE, em Lourenço Marques (agora Maputo), Moçambique. A água estava com muito má qualidade e a eletricidade falhava com frequência. Na altura, 1964, António era finalista do 7º ano no Liceu.
Ativismo desde de jovem!
Uma das memórias enquanto jovem ativista de António Serzedelo, foi a manifestação por causa do mau serviço da companhia de água e luz, o SMAE, em Lourenço Marques (agora Maputo), Moçambique. A água estava com muito má qualidade e a eletricidade falhava com frequência.

Na altura, 1964, António era finalista do 7º ano no Liceu Salazar e junto com os colegas organizaram a manifestação. Surpreendentemente apesar de estar em plena ditadura Salazarista, os polícias não tomaram ação, provavelmente por serem jovens de liceu e menores e por virem de famílias conhecidas da “burguesia”.

António Serzedelo à frente da manifestação. Na Foto.

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Além do arco-íris

A influência empresarial global pode ser usada para apoiar pessoas da comunidade LGBTQI+, sendo as campanhas do arco-íris apenas um primeiro passo de apoio do sector privado à igualdade na diversidade, tendo em conta que as orientações da ONU recomendam cooperação com organizações da sociedade civil.
São as linhas mestras de um artigo de autoria de André Du Plessis e Gabriel Galil da ILGA World publicado no World Economic Forum.

Todos os anos, um número crescente de empresas inclui o mês do Orgulho nas suas agendas, lançando campanhas de marketing e produtos arco-íris para mostrar apoio à causa LGBTQI+.
Esta comunidade em todo o mundo forma um segmento de mercado de centenas de milhões de consumidores, mas que até há bem pouco tempo eram completamente esquecidos no mundo empresarial.

Para a comunidade LGBTQI+ as campanhas do arco-íris são um raio de esperança que sugere estarmo-nos a caminhar globalmente na direção certa para garantir a igualdade, visibilidade e respeito por todos, independentemente de sua orientação sexual, identidade e expressão de género e características sexuais, referem os autores.

É natural que se levante de imediato as questões: - Como o interesse agora mostrado se pode tornar numa mudança real para as questões LGBTQI+? 
Bem como, não apenas durante o mês do Orgulho e manifestações associadas, mas ao longo de todo o ano: - Qual o papel que o sector privado pode desempenhar na promoção e garantia da inclusão, respeito e direitos humanos para as pessoas LGBTQI+?

Segundo os autores, “as nossas comunidades estão profundamente ligadas à exclusão social e económica . Na verdade, ao invés de serem abraçadas, as diversas orientações sexuais, identidades e expressão de género e características sexuais cruzam-se com outras formas de discriminação que formam barreiras no acesso ao mercado de trabalho, especialmente ao emprego formal.”
É sabido que a pandemia COVID-19 veio agravar a marginalização por impactos económicos e que muitos não tinham acesso a medidas de segurança social em locais onde as leis não reconhecem seus direitos. 

Esta situação pode e deve ser enfrentada através de políticas públicas mas a que não se pode excluir o papel importante que o setor privado pode desempenhar a favor da inclusão social e económica.

“Em 2011, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas estabeleceu os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos . Esses princípios deixam claro que, embora os Estados sejam os principais detentores de obrigações de direitos humanos, o sector privado tem o dever de respeitar todos os direitos humanos reconhecidos internacionalmente, incluindo o direito à não-violência e discriminação com base na orientação sexual, identidade e expressão de género e características sexuais”, sublinham.

Mas para ver uma verdadeira mudança social, é necessário que o sector privado vá além de apenas respeitar os direitos humanos no local de trabalho, torna-se necessário que os promova e os defenda também. 
Os Padrões de Conduta da ONU para Combater a Discriminação contra pessoas LGBTQI+ foram estabelecidos, não apenas dando orientações sobre como lidar com a discriminação no local de trabalho, mas também como leva r o envolvimento empresarial mais longe, usando sua influência para promover mudanças no mercado e na esfera pública.

Concluindo, seja por meio de financiamento, defesa pública ou pela adoção de políticas de trabalho inclusivas, há muitas maneiras do sector privado apoiar as comunidades LGBTQI+. Se se quiser garantir que até 2030 ninguém seja deixado para trás neste caminho, é necessário que esse apoio vá para além das, bem-intencionadas, bandeiras do arco-íris.

miguel rodeia

 
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Miguel Rodeia

Artigo

Hoje falo da All Out

Trata-se de uma organização à escala global de defesa dos direitos LGBTQI+.
O seu grande objectivo é a luta por um mundo sem discriminações usando a internet para mobilizar milhares de pessoas em todo o mundo. Defende assim um mundo onde ninguém se tenha de sacrificar quer na sua liberdade, segurança, dignidade por ser-se quem se é ou amar quem se ama.

A All Out trabalha com as associações parceiras em todo o mundo para pensar em formas de responder a situações de discriminação ou violência, seja através de abaixo-assinados, com uma campanha de financiamento coletivo, financiamento de uma campanha específica ou com a organização de um protesto de rua.

É global em todos os aspectos. Na constituição da sua equipa, na comunicação, linguagem e nos seus membros, valorizando a inovação, a criatividade e a imaginação.
O seu site é uma ferramenta de excepção, exclusivamente direccionada aos direitos LGBTQI+ e é 100% gratuita e segura.

Com associações parceiras, realizam campanhas e ações de angariação de fundos de forma transparente, garantindo que elas têm um papel ativo nessas iniciativas.
A organização faz a ponte entre o local e o global, interligando milhares de pessoas com o que está acontecer na linha de frente da luta pelos direitos LGBTQI+, com as pessoas que a apoiam, garantindo o melhor uso possível do dinheiro que estas investem no seu trabalho.

A All Out promove fundamentalmente três tipos de campanha.
Campanhas de pressão que se levam a cabo através de abaixo-assinados ou com outras formas, como trabalho de imprensa, ações em redes sociais e protestos de rua. Fazem com que a luta de activistas locais chegue ainda mais longe e receba o apoio de militantes de pessoas no mundo todo.

Campanhas de financiamento com o intuito de apoiar colectivamente projetos ou iniciativas que tenham como objetivo a defesa dos direitos LGBTQI+. O valor necessário ronda os 10 mil dólares, sendo que todo o dinheiro vem de pequenas doações feitas por membros e apoiantes da comunidade da All Out em mundo todo.

Campanhas por iniciativa dos membros, uma vez que qualquer pessoa pode usar a plataforma da All Out pra criar seu próprio abaixo-assinado sobre questões LGBTQI+ ou angariação de fundos para determinadas acções em qualquer parte do mundo.

Para ajudar no planeamento para 2021, pediram a colaboração dos membros e apoiantes de todas as idades.
Concluiu-se que as preocupações dos membros e apoiantes concentram-se no fazer campanhas em países onde pessoas LGBTQI+ estão sob ataque, especialmente em África e também na Europa.

Nesta fase de pandemia está a desenvolver formação online para ativistas na Colômbia e a lançar uma campanha contra a violência LGBTQI+ com parceiros no Brasil.

Estão a trabalhar com grupos locais na Alemanha para pressionar os legisladores a proteger legalmente as pessoas LGBTQI+ da discriminação presente na sua Constituição.

As Olimpíadas de Tóquio, previstas para os meses de Julho e Agosto de 2021 com cerca de um ano de atraso, são anunciadas como celebrando a "unidade na diversidade" e "transmitindo um legado para o futuro". Mas as pessoas LGBTQI+ no país continuam a enfrentar o estigma social e menos proteções legais do que outros cidadãos.
Neste momento a All Out em parceria com a Human Rights Watch, Athlete Ally e a Japan Alliance for LGBT Legislation está empenhada em fazer uma campanha que pede ao governo japonês a aprovação da Lei de Igualdade antes da realização do evento.

Para saber mais sobre todo o trabalho, campanhas ou como candidatar-se visite o site na internet - allout.org
Faça um donativo se puder, participe subscrevendo o abaixo -assinado para pressionar as autoridades do Japão a decorrer neste momento.
Assine! Não custa nada e ajude a fazer a diferença.

 
 
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O voto útil

O acto eleitoral de Domingo é um mero plebiscito de confirmação da continuidade do actual Presidente.
A situação actual do País, em plena pandemia e confinamento obrigatório, é mais do que nunca, um apelo à abstenção. Será, com toda a certeza, a grande vencedora.

A participação dos portugueses em eleições é recorrentemente muito baixa e que fará com que o Presidente eleito tenha uma representatividade mínima do Povo português. Irá ser uma magistratura enfraquecida por isso.

Face ao exposto em quem votar?       
- Marcelo Rebelo de Sousa, não necessita de muitas palavras ou análises.
Será um voto na continuidade do ‘casamento’ com António Costa que veladamente o apoia.
- Vitorino Silva, conhecido como, Tino de Rans que marca a sua presença como candidato pela segunda vez trazendo a alma de um Zé Povinho do Século XXI?
Será um voto digno de quem se revir nessa candidatura simples e despretensiosa.
- Tiago Myan, um advogado indicado pelo partido Iniciativa Liberal que se veio a revelar estar à altura de debates sérios e com algumas ideias bem estruturadas?
Será um voto claro a quem pretender dar força ao partido a que pertence.
- João Ferreira. O candidato repetente do Partido Comunista Português e que visa o eleitorado do partido?
Será um voto a favor da sobrevivência do partido e dos seus ideais.
- Marisa Matias, candidata repetente indicada pelo Bloco de Esquerda, que carrega consigo as visões do partido e cativando o voto urbano?
Será um voto para quem se identifique com as políticas do BE.
- Ana Gomes, sem apoio do seu partido de origem, candidatou-se contra  ventos e marés, tendo apenas o apoio expresso do partido PAN que ganhou mais peso nas últimas eleições legislativas?
Será um voto à esquerda do candidato apoiado pelo PSD e CDS e na será também um voto contra o que não se pretende ver sedimentar no espectro político português.

Perante este cenário o voto será útil na candidata que está na melhor posição para combater o que não quero para o meu País.
Será um voto consciente contra o racismo, xenofobia, homofobia, transfobia. Será um voto pela igualdade mas também pela equidade. Será um voto pelos valores democráticos que mais uma vez estão ameaçados.

Se vai ao supermercado, se vai passear o cão, dar o passeio higiénico à volta do quarteirão ou ao restaurante buscar comida, VÁ VOTAR que não deverá ser muito mais longe.

Lembre-se que votar é um direito, mas igualmente um dever.
O não exercer o poder do voto será votar em quem não se quer.

Miguel Rodeia

 
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Vidas Alternativas

A celebre estatua da Liberdade emblema dos EUA até está envergonhada com o que Trump fez à sua imagem e ao País.

 
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Entrevistas

Confira abaixo as entrevistas feitas por António Serzedelo

 
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Programa 81

08 de dezembro de 2020

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Programa 80

26 de novembro de 2020

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Programa 79

12 de novembro de 2020

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Programa 78

28 de outubro de 2020

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Programa 77

14 de outubro de 2020

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Programa 76

30 de setembro de 2020

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 BRAKING NEWS: Possível deposição de armas na Venezuela

28 de setembro de 2020

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Programa 75

16 de setembro de 2020

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Programa 74

02 de setembro de 2020

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Programa 73

19 de agosto de 2020

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Mundo das Mulheres Trans

Começo - Meio - Fim

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Mundo LGBTI+

Sexo - Maturidade - Solidão

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Programa 72

06 de agosto de 2020

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Programa 71

22 de julho de 2020

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Programa 70

08 de julho de 2020

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Programa 69

24 de junho de 2020

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Programa 68

10 de junho de 2020

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Programa 67

27 de maio de 2020

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Programa 66

13 de maio de 2020

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Programa 65

29 de abril de 2020

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Programa 64

15 de abril de 2020

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PROGRAMA 63

01 de abril de 2020

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Programa 62

18 de março de 2020

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Programa 61

04 de março de 2020

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Programa 60

19 de fevereiro de 2020

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Programa 59

05 de fevereiro de 2020

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Programa 58

22 de janeiro de 2020

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PROGRAMA 57

08 de janeiro de 2020

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PROGRAMA 56

25 de dezembro de 2019

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Programa 55

11 de dezembro de 2019

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Programa 54

27 de novembro de 2019

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Programa 53

13 de novembro de 2019

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Programa 52

30 de outubro de 2019

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Programa 51

16 de outubro de 2019

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Programa 50

01 de outubro de 2019

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Programa 49

18 de setembro de 2019

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Programa 48

03 de setembro de 2019

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programa 47

21 de agosto de 2019

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Programa 46

09 de agosto de 2019

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Programa 45

24 de julho de 2019

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programa 44

10 de julho de 2019

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Programa 43

26 de junho de 2019

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Programa 42

12 de junho de 2019

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Programa 41

29 de maio de 2019

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Programa 40

15 de maio de 2019

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Programa 39

01 de maio de 2019

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Programa 38

17 de abril de 2019

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programa 37

03 de abril de 2019

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programa 36

20 de março de 2019

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programa 35

05 de março de 2019

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programa 34

18 de fevereiro de 2019

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programa 33

04 de fevereiro de 2019

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programa 32

21 de janeiro de 2019

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programa 31

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